29 março 2007

Hoje é o primeiro dia...

A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vem o cansaço e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Sérgio Godinho
"O primeiro dia"

18 março 2007

Porto - 0 - Sporting - 1


É, realmente, uma pena que o Sporting tenha feito tanta asneira junta e que se tenha deixado atrasar na luta pelo título. Se tal não tivesse acontecido eu diria que a vitória sobre o F. C. do Porto, ontem, no Estádio do Dragão, era claramente uma porta aberta para a conquista do Campeonato. Apesar do sporting ter realizado um grande jogo, seis pontos de diferença a oito jornadas do final, é um cenário praticamente utópico, apesar do confronto directo, na próxima jornada entre os dois primeiros classificados: Benfica e Porto. Como sportinguista irei aguardar serenamente o desfecho desta história (leia-se campeonato) porque esperar é a grande virtude dos lagartos (hihihi). De qualquer forma, parabéns às duas equipas que ontem se defrontaram de forma limpa. É assim que deve ser o futebol.

08 março 2007

Dia da Internacional da Mulher? Tretas!


Hoje assinala-se mais um Dia Internacional da Mulher. Não é coisa que me deixe contente, até porque não há muito a comemorar, a não ser o facto pelo qual se assinala: homenagear as 129 operárias de uma fábrica de Nova York que, a 8 de Março de 1857, morreram carbonizadas quando protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários.
Sem dúvida que, ao longo dos anos, as mulheres têm conseguido impor-se perante a sociedade e muitos dos (ridículos) direitos que lhes eram vedados desapareceram por completo mas, ao assinalar-se mais um Dia Internacional da Mulher, é bom lembrar que muita coisa há ainda a fazer para mudar mentalidades.
A violência doméstica em Portugal, é um dado preocupante para a Amnistia Internacional (AI) que, de acordo com dados do Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA), revelou que só em 2005, 33 mulheres foram mortas no seio familiar, 29 pelo companheiro, ex-namorado ou parceiro, e quatro por outros familiares.
Segundo a Associação de Apoio à Vítima (APAV), em 2006 registaram-se em Portugal 22 casos de homicídio ou tentativa de homicídio contra mulheres e mais de 13 mil crimes de violência doméstica.Isto no que se refere à violência física. A violência psicológica, a que muitas mulheres ficam submetidas, essa fica entre quatro paredes e é quase impossível de contabilizar.
A outro nível, e de acordo com um estudo feito pelo gabinete de auditoria internacional Grand Thornton, verifica-se que pelo menos 38 por cento das empresas no mundo inteiro com 150 a 500 assalariados não têm qualquer mulher em cargos da mais alta responsabilidade. O relatório mostra ainda, que as mulheres continuam a ter salários inferiores aos dos homens.
É por tudo isto que há que lutar TODOS os dias, e não apenas no Dia Internacional da Mulher.

05 março 2007

Novo PDM da Moita debaixo de fogo

“O dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã responsabilizou o primeiro-ministro, José Sócrates, pela eventual aprovação do novo Plano Director Municipal (PDM) da Moita, que irá permitir a valorização de alguns terrenos em mais de dez mil por cento”, escreveu ontem o jornal Público. Louçã chama a atenção para o negócio da autarquia com a Imomoita, que permitiu a esta empresa “comprar um terreno por 300 mil euros e vendê-lo, depois da alteração do PDM para terreno urbano, por 26,7 milhões de euros". Mas o líder do Bloco de Esquerda (BE) alerta ainda para o facto de serem os contribuintes a pagarem os “dez mil por cento de lucro” que a empresa poderá lucrar caso o PDM seja aprovado.
Mas há mais. Além da reclassificação de solos rurais para urbanos, o novo PDM prevê a requalificação de toda a zona da Várzea da Moita, para Reserva Ecológica Nacional (REN), um local classificado como zona agrícola e onde se concentra grande parte da agricultura e pecuária do concelho.
Os protestos dos moradores da zona não se fizeram esperar e, desde 2005 que tentam a todo o custo que o novo PDM não vá para a frente. Os moradores consideram a classificação de REN como um “um erro, uma desnecessidade, um absurdo e uma injustiça”, uma vez que afirmam penalizar as gentes da várzea, que vive, essencialmente, da agricultura.
Com tanta contestação irá o novo PDM da Moita avançar? Sinceramente? Parece-me bem que sim.

28 fevereiro 2007

Chegou o momento…


… de falar de futebol. Eu não queria. Tentei evitar. Mas não dá mais.
Depois do empate do Sporting frente ao Desportivo das Aves (o último classificado do campeonato, glup!) e das vitórias do Benfica e do Porto, deixando o clube de Alvalade em terceiro lugar, tenho mesmo que dizer qualquer coisa sobre o assunto.
Uma vez mais o Sporting está a deixar-se ficar para trás. Não é por falta de talentos na equipa, porque os tem, mas há sempre qualquer coisa que fica a faltar. E a somar às más exibições, existem episódios tristes como o que aconteceu com o puto Nani, que se queixa de ganhar só??? 11 mil euros!!! Enfim, comentários para quê?
A primeira coisa que me veio à cabeça, quando os leões empataram com o Aves foi “caramba, por este andar estou a ver que nem a Taça ganhamos!”. Não quero, de maneira nenhuma, ser pessimista, mas ou os resultados aparecem, ou a única tábua de salvação é mesmo agarrar a Taça de Portugal. E é já hoje frente à Académica.
A ver vamos.

23 fevereiro 2007

Inesquecível...


Thanks for all... LU

11 fevereiro 2007

Agora é que a luta vai começar…

Felizmente, o Sim venceu no refendo de hoje sobre a despenalização do aborto. Esta foi, sem dúvida, uma vitória de todas as mulheres. Daquelas que ainda hoje aguardam julgamento pelo alegado ‘crime’ que cometeram, daquelas que não tiveram medo de dar a cara assumindo que um dia fizeram um aborto, daquelas que morreram por o ter praticado em condições sub-humanas.
Hoje foi dado mais um passo em frente para acabar com a humilhação das mulheres, para acabar com um negócio que rendia milhares (e que, admitamos, vai continuar a render, infelizmente) à custa do sofrimento alheio. Mas, apesar deste pequeno passo em frente, agora é que a luta vai começar a sério…

08 fevereiro 2007

E o Prémio Pirata vai para…

“Os professores da Região Centro vão distinguir com o Prémio Pirata da Educação e as suas quatro "menções vergonhosas" as pessoas responsáveis pelo atraso da educação portuguesa em relação à União Europeia”, escrevia ontem o Jornal de Notícias.
Eu acho bem. Poderiam até ser as framboesas cá da terra. Só que há um pequeno problema. Se os professores vão ‘distinguir’ as pessoas responsáveis pelo atraso de Portugal em relação à União Europeia (UE) então estes prémios vão ter que se estender a outras áreas, já que o nosso país se encontra na cauda da EU, em várias matérias. É o caso não só da educação, como da saúde, economia e finanças, colocando Portugal apenas à frente dos novos estados membros. O nosso país foi, aliás, um exemplo, no mau sentido, para estes países, mostrando o que não fazer para não cometerem os mesmos erros.
Um relatório da Comissão Europeia, divulgado em Dezembro último, dizia que, durante a segunda metade dos anos 90, a economia portuguesa conseguiu "resultados impressionantes" em termos de convergência real e nas áreas orçamental e monetária, mas apenas devido à forte descida das taxas de juro. Contudo, e com a subida das taxas de juro, o aumento do preço do petróleo e reformas económicas insuficientes, Portugal deixou-se cair num abismo e desde 2001 que não consegue acompanhar os outros países da EU. Muitos economistas dizem mesmo que a recuperação da competitividade perdida pode levar anos a recuperar e apenas pode ser feita com uma forte moderação salarial.
Com este cenário, parece-me que vai haver por aí, muitos outros Prémios Pirata, e umas outras tantas menções vergonhosas.

29 janeiro 2007

I confess. I loved


Mais uma super-produção. Aliás, outra coisa não seria de esperar de Madonna e da sua “Confessions Tour”. Depois da tão aclamada “Re-Invention Tour”, que felizmente passou por Lisboa (embora o dvd tenha ficado na gaveta), e da ainda minha preferida Blond Ambition Tour (1990), vou ter que repensar o meu top de preferências em relação às tournés de Madonna.
Ontem, durante o preview do novo dvd (apesar de oficialmente só sair para as ruas amanhã, já está nas lojas desde sexta-feira) senti aquele friozinho na barriga que há muito não sentia (quer dizer, desde Dezembro, mas por outras razões, ahahahah) ao ver um concerto de Madonna. Só o posso descrever em duas palavras: simplesmente genial!
Com uma excelente produção e uma fantástica realização, este novo dvd é um rodopiar de emoções. Não é, de todo, um dvd musical convencional, e a ideia com que se fica, é de que se trata de um videoclip gigante.
Com um ritmo alucinante (apenas dois ou três momentos mais calmos em todo o espectáculo) Madonna apresenta-nos o que melhor sabe fazer: dar espectáculo. E apesar dos seus 48 anos, continua em plena forma, eu diria mesmo, melhor que nunca.
Este é, sem dúvida, um dvd para ver e rever, pois só assim será possível assimilar cada momento do concerto.
Agora sou eu que me confesso: AMEI!

27 janeiro 2007

E então recordar não é viver?

É pois! Passados tantos anos, recuei no tempo ao ver o Verão Azul. Naquela altura, tinha eu seis anos e todos os sábados a cena repetia-se. Não ia para a mesa, enquanto não acabasse o episódio do Verão Azul.
Lembro-me como se fosse hoje do fascínio que tinha por aqueles miúdos. Acho que, a cada episódio, embora sentada no sofá, me divertia tanto como eles com as suas aventuras. Aventuras reais, do dia-a-dia, de crianças verdadeiras, não de adolescentes fabricados. E como era tudo tão puro naquela época!
Hoje, ao rever o Verão Azul, senti precisamente o mesmo entusiasmo que há 25 anos atrás. Mas uma imensa nostalgia ao perceber como as coisas mudam. Valham-nos os dvd’s que mantêm as lembranças intocáveis. Porque recordar é mesmo viver. Oh se é!

19 janeiro 2007

Jobs for the boys

Mais um job for the boy, neste caso for the girl. É a podridão de país que temos. Ahahahahahah!

Informar sim, mas persuadir….

Não queria alongar-me muito mais sobre a minha posição acerca da despenalização do aborto, até porque já a deixei bem clara, mas não poderia ficar indiferente, a um artigo que li hoje no Diário de Notícias.
Não condeno os apoiantes do voto “não”, no referendo de 11 de Fevereiro próximo, cada um tem as suas opiniões e convicções, e acho que as pessoas devem ser informadas e votar em consciência. Contudo, informar é uma coisa, persuadir é outra bem diferente.
O cónego Tarcísio Alves, pároco há cinco anos em Castelo de Vide (Portalegre), disse, em declarações ao DN, que "os cristãos que vão votar 'sim' no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas", acrescentando que a excomunhão automática atinge ainda “todos os intervenientes na execução do crime, como, por exemplo, médicos e enfermeiros".
O crime a que o senhor padre se refere, é a interrupção voluntária da gravidez, mais conhecida como aborto.
Para mim não há crime maior que a pedofilia, que infelizmente tem assolado os corredores da Igreja Católica, sobretudo nos Estados Unidos, onde mais de 1500 padres foram acusados de abuso sexual de menores.
Outro dos grandes crimes é a discriminação. Seja ela qual for. No entanto, o Vaticano “proíbe” expressamente padres com tendências homossexuais tendo mesmo escrito, preto no banco (aprovado pelo Papa Bento XVI) que "a Igreja não pode admitir no Seminário e nas Ordens sacras aqueles que pratiquem a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiem a chamada cultura gay."
Tão importante que como os assuntos acima referidos é a questão do alastramento da sida. Mais de 36 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo. Uma vez mais a Igreja Católica, tem uma posição peculiar, ao condenar o uso do preservativo, o principal meio anticoncepcional de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis.
E mais não digo.

18 janeiro 2007

Mudar mentalidades


“Os serviços públicos vão ser obrigados a criarem balcões específicos para as pessoas portadoras de deficiência, no âmbito do Plano Nacional de Promoção da Acessibilidade (PNPA), que ontem foi publicado em Diário da República”, escreve hoje o Diário de Notícias.
Mais um plano a juntar a uns tantos decretos-lei que pouco mais fizeram que deixar no papel intenções de mudança. Esperemos que desta vez, assim não seja.
Desde 1982 que sucessivos decretos-lei vêm tentando mudar mentalidades. A 8 de Fevereiro deste ano, o Decreto-Lei n.º 43/82, alterou vários preceitos do Regulamento Geral das Edificações Urbanas, consagrando normas técnicas sobre acessibilidade. As vicissitudes que sofreu este diploma, cujo prazo de entrada em vigor foi objecto de várias prorrogações e que culminou com a sua revogação pelo Decreto-Lei n.º 172-H/86, de 30 de Junho, demonstram inequivocamente as dificuldades de fazer aplicar as medidas nele consagradas. A 1 de Julho de 1986, foram aprovadas recomendações técnicas que visavam melhorar a acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida aos estabelecimentos que recebem público. Em 87 e 88, duas resoluções foram aplicadas, reafirmando a necessidade de eliminação das barreiras arquitectónicas no acesso às instalações dos serviços públicos.
Em 1989 com a Lei de Bases da Prevenção e da Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência voltava a falar-se em facilitar às pessoas com deficiência o acesso a estes edifícios.
Finalmente o Decreto-Lei nº123/97 veio impor prazos concretos quanto às alterações a fazer no que diz respeito às acessibilidades. O artigo 4º referia que “As instalações, edifícios e estabelecimentos, bem como os respectivos espaços circundantes, já construídos e em construção que não garantam a acessibilidade das pessoas com mobilidade condicionada terão de ser adaptados no prazo de sete anos”, portanto até 2004.
Enquanto jornalista, fiz vários trabalhos sobre acessibilidade, inclusive no próprio ano de 2003 designado como “Ano Europeu da Pessoa com Deficiência”, onde me fiz acompanhar de uma arquitecta. Resultado? Pouco ou nada tinha mudado. Centros de saúde com mais do que um piso sem elevador. Acessos a edifícios públicos sem rampas de acesso, ou com obstáculos incontornáveis. 2004 terminou, sem que muitas das recomendações tenham sido cumpridas.
Em Agosto do ano passado, um novo Decreto-Lei foi aprovado. Este veio rever e melhorar alguns aspectos do anterior diploma, nomeadamente no que diz respeito ao regime jurídico de licenciamento municipal de loteamentos urbanos e obras particulares.
O novo Plano Nacional de Promoção da Acessibilidade, que vai ser desenvolvido em duas fases - 2007/2010 e 2011/2015 – veio reforçar a ideia de sensibilização e informação da sociedade em relação a este assunto.
Apesar da ineficácia dos sucessivos diplomas, espera-se que estas lufadas, venham refrescar memórias daquilo que se pode e deve fazer. É cumprir e fazer cumprir.

11 janeiro 2007

Sim, sou a favor

Eu sou a favor do aborto. Não do aborto indiscriminado. Não do aborto pensado de ânimo leve. Até porque este é um assunto sério que não envolve apenas a vida da criança que está a ser gerada. Envolve sobretudo o físico e o psicológico de uma mulher, que muitas vezes é obrigada a recorrer à interrupção da gravidez, tendo que escolher entre trazer uma criança ao mundo sem quaisquer condições (financeira ou psicológica) para a criar, ou eliminar, de raiz o sofrimento. Um sofrimento que, contudo, nunca passa.
Eu sou a favor do aborto porque Portugal não tem condições para dar apoio a mães solteiras ou jovens mães, ou mesmo a casais mais desfavorecidos que vêm o estado pagar um abono de pouco mais de 20 euros. 20 euros por mês! Os mesmos 20 euros que custa um pacote de fraldas que dá para 15 dias (ou menos).
Eu sou a favor do aborto porque Portugal não tem um plano de adopção em condições. Sim, porque muitas das crianças que nascem indesejadas pelos pais, vão parar às centenas de orfanatos espalhados pelo país e, a maior parte, aí permanece até à idade adulta, sem uma referência de família.
Eu sou a favor do aborto, para que milhares de mulheres deixem de ser humilhadas, para deixem de ficar estéreis após um aborto clandestino, ou que deixem de morrer por ter praticado a interrupção da gravidez em condições sub humanas. Muitas das camas dos nossos hospitais, estão ocupadas por estas mulheres.
Eu sou a favor do aborto para que estas mulheres possam ter um pouco de dignidade, num momento difícil da sua vida. Eu sou a favor do aborto porque detesto hipocrisia.
Mas desengane-se quem pensa que, caso o sim vença o referendo de 11 de Fevereiro (eu quero acreditar que desta é que vai), a coisa muda de imediato. Puro engano. Muita tinta há-de correr. Simplesmente porque, mesmo com a actual lei, onde o aborto é permitido em casos excepcionais, como mal formações no feto ou perigo de vida para a mãe, o aborto é evitado ao máximo, prolongando o sofrimento da mulher até à última instância.
Infelizmente porque a ‘ética’ ainda se sobrepõe à lei e porque as mentalidades ainda continuam a ser as mesmas de há séculos atrás.

05 janeiro 2007

Ano Novo, vida nova… Naaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Todos os anos por esta altura é sempre a mesma treta. Mil e um planos para o ano que entra, mas chegamos a Março ou Abril e metade deles ficaram na gaveta, à espera de melhores dias. É sempre assim.
Não é fácil fazer mudanças mais ou menos radicais, mas às vezes é desse abanão que precisamos para “abrir a pestana” e, sem dúvida, que o começo de um novo ano é sempre um estímulo adicional.
Por incrível que pareça, não fiz quaisquer planos para 2007, mas o mais provável é que algo aconteça… Hummmm… não sei, estou com um ‘feeling’. Engraçado. Sempre que pensava em mudar algo no início do ano, chegava a Dezembro com aquela sensação de dever não cumprido, com vontade de me penitenciar por coisas que tinha planeado, nunca chegarem a acontecer. Este ano não. Por isso estou com esperança que o destino me pregue uma boa partida. Será sonhar demais?

29 dezembro 2006

Crise? Onde?


Depois de fúria consumista do Natal, esperava-se que os portugueses se contivessem e poupassem os trocos que restaram. Mas não. Parece que a saga continua. A três dias do final do ano, os mais luxuosos hotéis e estâncias turísticas estão completos, e com preços que vão até aos 500 euros por noite. Mas não é só em terras lusitanas que os portugueses se aventuram para uma passagem de ano de sonho. Procuram ainda a vizinha Espanha, mas vão mais longe e as Caraíbas, ou o Brasil são também destinos muito procurados e, a avaliar pelos voos esgotados e pelos cruzeiros a ‘rebentar pelas costuras’, muitos são os portugueses que vão rumar ao estrangeiro nesta época.
Ora, depois dos oito milhões de euros gastos, por hora, na semana anterior ao Natal, e com os hotéis esgotados para os programas de passagem de ano, quem pode falar em crise? Tristezas não pagam dívidas, é certo, mas o sobreendividamento a que os portugueses se sujeitam só vai servir para adiar a lenta e tão esperada recuperação económica do país. Assim, “não há ECU que aguente”.

22 dezembro 2006

Feliz Natal


Não nego. Sempre gostei do Natal. Não tem nada a ver com prendas nem com o consumismo desmesurado, até porque nem gosto da confusão que as compras de Natal geram. A mim o Natal lembra-me a minha mãe na cozinha a fritar filhós, o cheiro da lenha das lareiras, o pedido do presente ao Menino Jesus e não a Pai Natal e quase não dormir para ver as prendas que me estavam reservadas na manhã do dia 25.
Quando se é criança esta época é vivida mais intensamente, embora já adulta, continue a gostar muito do Natal. Eu própria preparo tudo: a ementa da noite de Natal (pensada ao mais ínfimo pormenor), os doces (principalmente as rabanadas, a minha grande especialidade) e toda a decoração natalícia. Na noite de 24, o mais importante é ter quem amamos ao lado e desfrutar ao máximo depois de intensos dias de azáfama.
Gosto de uma mesa composta, sem excessos, gosto dos presentes debaixo da árvore. Gosto. Não pertenço ao grupo de demagogos que todos os anos por esta altura nos ‘brindam’ com as mais desoladoras imagens, sobretudo vindas de terras de África. Esses casos têm que ser chamados à atenção durante todo o ano.
Infelizmente não posso mudar o mundo. Infelizmente não posso proporcionar um Natal melhor a milhares de pessoas que morrem à fome todos os dias. Felizmente posso ter um Natal decente e proporcioná-lo aos que mais amo. É por isto que agradeço em todos os Natais. Pedir a paz e um mundo melhor não chega, mas de momento é a única prenda que posso dar. Feliz Natal.

18 dezembro 2006

Abaixo a segunda-feira!

Segunda-feira. Trabalho chato. Raiva por não ter podido ficar em casa (snif, snif). Mau humor. O que me resta? Fazer uma pausa ‘kit-kat’, ouvir uma musiquinha e actualizar este blog (uma vergonha!). Ah, e pensar no bacalhau com migas de ontem! Hummmm… bela comida (Konspiry por favor, tens que me dar aquela receita, antes que a minha criança nasça com cara de broa). Mas enfim, hoje tenho que dizer mal da segunda-feira. Raio de dia! Raio, raio, raio! Devia de haver uma lei que nos proibisse de começar a trabalhar à segunda-feira. Oh dia malvado!
Pronto, agora que já descarreguei toda a minha raiva na segunda-feira, vou trabalhar e pensar que já é sexta. De qualquer forma… abaixo a segunda-feira. Tenho dito.

04 dezembro 2006

Paga e não bufa

Já não bastava as intermináveis filas, todas as manhãs, (para chegar a Almada) por causa do acesso à Ponte 25 Abril, agora também as obras de alargamento da A2 estão a deixar os utentes desta via de cabelos em pé (incluindo eu!). Além de termos que pagar (1,20€ ida e volta) para utilizar este troço de auto-estrada ainda temos que levar com o piso em mau estado e labirintos de ‘pins’ já para não falar do perigo em que se tornou esta via, sempre que chove.
É inacreditável que alguém se tenha lembrado de realizar obras deste porte (alargamento de duas para três vias) sem conceber alternativas válidas. Sim, porque reduzir para uma única via a passagem de milhares de carros à sexta-feira, em hora de ponta, quando todos estamos cansados de uma semana de trabalho e só queremos chegar a casa, tomar um duche e calçar as pantufas, não é, com toda a certeza, uma alternativa viável. Mas mais inconcebível é termos de pagar para passar por tudo isto. Ok, podem dizer que existem alternativas às auto-estradas, onde não precisamos de pagar. Claro que existem, mas neste caso essas alternativas estão todas esgotadas, precisamente porque também elas estão a sofrer obras de reabilitação. Isto é mesmo caso para dizer, em bom português e à Zé Povinho, “paga e não bufa”. Realmente…

23 novembro 2006

Licença para adoptar



Ora aí está! A justiça brasileira emitiu, ontem, pela primeira vez, uma certidão de nascimento em que um casal homossexual masculino responde pela paternidade de uma criança adoptada. De acordo com o Globo Online, a mesma decisão já tinha sido proferida no Rio de Janeiro, mas para um casal formado por mulheres. Sinceramente, a mim pouco me importa se uma família é constituída por um homem e uma mulher, por dois homens ou por duas mulheres e não me faz confusão nenhuma se estes quiserem adoptar uma criança. A Convenção sobre os Direitos das Crianças, aprovada em Novembro de 1989, pelas Nações Unidas fala, entre outros, do direito a cuidados adequados, do direito à educação e do direito da criança ser protegida contra a exploração. Infelizmente, cada vez se ouve mais falar de casos de maus-tratos a crianças, levados a cabo pelos próprios pais, e que em alguns casos leva mesmo à morte dos menores. Isto tudo, para refutar as críticas lançadas aos homossexuais sobre a adopção de crianças. O que importa, na realidade, não é o bem-estar da criança? Não é preferível viver numa casa onde exista harmonia, amor, carinho e compreensão, mesmo que nessa casa vivam duas mães ou dois pais, do que viver num orfanato ou numa casa onde sofrem as mais aterradoras barbaridades vindas de pessoas do próprio sangue? Eu sou bastante a favor da adopção. Acho inconcebível substituir uma criança por um animal de estimação (com os devidos respeitos para as senhoras às quais o apelo da maternidade nunca chega), e se pudermos proporcionar uma vida melhor a uma criança que seja, já será menos uma que terá de viver num orfanato abandonada à sua sorte. Nunca percebi as críticas lançadas a Madonna por ter adoptado uma criança africana, quando antes actrizes como Angelina Jolie, Sharon Stone ou Mia Farrow (que conta com 10 filhos adoptivos) já o tinham feito. Se é por protagonismo, ou por altruísmo, o certo é que são actos louváveis, para mim actos de amor, quer sejam eles vindos de figuras públicas ou anónimas, hetero ou homossexuais.